A verdadeira santidade é a humanidade vivida e reconhecida
Convidado para escrever algo sobre Santo Inácio, neste 31 de julho,…
Horário do relógio
O relógio é uma das maiores invenções da humanidade. Porém o horário calculado por ele não corresponde ao horário real, ou seja, aquele horário definido pela posição do Sol em determinada localidade e momento.
O horário do relógio, conhecido como horário civil, é calculado com base nos fusos horários. Estes foram inventados a partir de uma abstração, ou seja, surgiram através de uma operação intelectual em que o cálculo do tempo foi isolado, parcialmente, de fatores que naturalmente se relacionam a ele. Entre esses fatores, podemos destacar a excentricidade da órbita terrestre e a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da eclíptica[1]. Assim, para o cálculo do horário civil, considera-se que a órbita terrestre é um círculo perfeito e que todos os dias têm sempre 24h, ou seja, admite-se um “Sol fictício” que sempre se move paralelamente ao Equador Celeste[2] e mantém velocidade constante ao longo do ano.
Em 1878, o engenheiro e inventor escocês-canadense Sir Sandford Fleming propôs a criação de um sistema internacional de fusos horários. Para tanto, com base em generalizações e arredondamentos, adotou-se a seguinte lógica: em seu movimento de rotação, a Terra gira 360º em 24h; se dividirmos 360º por 24h, teremos 15º, o que equivale a 1h (ou 60 minutos). Logo, se dividirmos 60 min por 15º, teremos que 4min equivalem a 1º.
Dessa maneira, foram definidas as 24 faixas que representam os fusos de uma hora, tendo cada faixa o tamanho de 15º ou 1668,9 km (na Linha do Equador). Em 1884, o meridiano escolhido como aquele que serviria como base para a medição de todos os outros foi aquele que passa por Greenwich, um distrito no bairro de mesmo nome, na Região de Londres, na Inglaterra. O meridiano de Greenwich passou a corresponder a 0º e é o meridiano central de um fuso horário que vai de 7º30’ L a 7º30’ O.

[1] Plano da órbita da Terra ao redor do Sol. A eclíptica é a projeção, sobre a esfera celeste, da trajetória aparente do Sol no céu.
[2] Projeção da Linha do Equador na esfera celeste.
Como o movimento de rotação é de oeste para leste, os fusos localizados a oeste apresentam horário atrasado em relação ao horário de Greenwich — GMT (sigla do inglês Greenwich Mean Time) —, ocorrendo o contrário com os fusos localizados a leste.
Juiz de Fora está a 43º 20’ 40’’ a oeste de Greenwich, logo, nosso meridiano central é o de 45º O. O meridiano central de nosso fuso horário é o terceiro a oeste de Greenwich, como mostrado no esquema. Isso significa que nosso horário oficial está 3 horas atrás em relação ao GMT.
Como nossa cidade não está exatamente no meridiano 45º, é possível executar uma correção de longitude, a fim de aproximar mais o horário do relógio da realidade local. Juiz de Fora está próxima ao meridiano 43º, assim, estamos a aproximadamente 2º mais a leste que o meridiano central de nosso fuso. Se 1º equivale a 4min, podemos admitir que, em relação a Greenwich, estamos menos atrasados, aproximadamente 8 minutos. Logo, quando o relógio marca 12h no fuso 45º, em Juiz de Fora, o horário mais condizente com a sua localização seria 12h 08 min.
Essa diferença é relativamente pequena e não percebemos, no nosso cotidiano, tal distorção. Porém, nos meridianos limite de um fuso, essa diferença chega a 30 minutos para mais ou para menos.
Em cidades que estão no mesmo fuso que Juiz de Fora, como Uruguaiana, localizada a 57º 02′ 18″ de longitude Oeste, essa diferença chega a 48 minutos. Logo, Uruguaiana está, na verdade, 48 minutos mais atrasada em relação a Greenwich. Inclusive, essa cidade não deveria compartilhar o fuso horário 45º conosco, uma vez que o nosso meridiano limite a oeste é 52º 30’. A adoção do fuso 45º para o estado do Rio Grande do Sul atende a interesses econômicos e administrativos, uma vez que é o fuso horário de Brasília.
O Uruguai e a Argentina adotam, também, o fuso do meridiano 45º, atendendo aos mesmos interesses econômicos e administrativos, bem como à intenção de ampliar a integração regional. Na Argentina, a cidade de Mendoza localiza-se a 68° 49′ 0″ O, e, portanto, sua distorção em relação ao meridiano 45º chega a 92 minutos. Essa cidade argentina está, portanto, 1h 32 minutos mais atrasada em relação a Greenwich do que nós. Na imagem a seguir, observe que as fronteiras da Argentina e do Uruguai não atendem ao fuso correspondente.

No dia 19 de outubro de 2022, consta oficialmente que amanheceu no fuso horário 45º às 05h 42 min, porém, em verdade, Uruguaiana e Mendoza viram o Sol aparecer no horizonte muito mais tarde. O mesmo acontece no poente: enquanto em Juiz de Fora, às 18h, já estava anoitecendo, nessas cidades, nesse mesmo horário, o Sol permanecia no céu a brilhar.
Horário solar (ou verdadeiro)
O horário solar apresenta distorções, passando, ao longo dos dias, por momentos de atraso ou de adiantamento em relação ao horário do relógio (ou civil). Isso porque a posição do Sol no céu não é determinada apenas pelo giro da Terra em torno de si, mas também pela posição do planeta em relação ao Sol ao longo do ano. Concomitantemente, a inclinação do eixo terrestre em relação ao plano da eclíptica (ligado ao movimento de rotação) e a excentricidade da órbita em torno do Sol (ligado ao movimento de translação) contribuem para que o tempo solar não progrida de maneira uniforme.
A explicação a seguir aponta como a interação entre esses dois movimentos e a interação deles com a inclinação do eixo de rotação da Terra causam a diferença verificada entre a hora marcada pelo relógio de Sol e o relógio mecânico.
1º – Como demostram as leis de Kepler[1], a velocidade do planeta durante seu movimento de translação não é constante, variando em função da sua distância em relação ao Sol. Aproximando-se do Sol, a caminho do periélio[2], o planeta ganha velocidade. Afastando-se do Sol, a caminho do afélio[3], o efeito é oposto, o planeta perde velocidade.
2º – Por causa da inclinação do eixo da Terra, o movimento aparente do Sol no céu bem como a própria velocidade desse movimento variam ao longo do ano. Perto dos equinócios,[4] o Sol parece mover-se mais lentamente, mas, perto dos solstícios,[5] esse movimento é mais acelerado. Na primavera e no outono, ou seja, perto dos equinócios, a hora do relógio está adiantada em relação à hora solar local. Pelo contrário, no verão e no inverno, isso é, perto dos solstícios, está atrasada.
A relação entre o movimento de translação e a inclinação do eixo faz com que o planeta tenha que rodar em torno de si mesmo alguns graus a mais para completar um dia solar, isto é, o período entre o nascer e o pôr do Sol no horizonte. Acontece que a Terra muda de posição constantemente e avança alguns milhares de quilômetros por dia em sua órbita. No final das contas, a soma desses graus a mais de giro fazem com que, na prática, o planeta dê 366 voltas em torno de si para que o Sol nasça e se ponha 365 vezes, o que correspondente a um ano.
Só é possível essa volta extra porque cada dia real é mais curto do que o considerado pelo relógio, exatamente 1/366 menor. Assim, o período de rotação da Terra em torno do seu eixo não é 24h, mas sim 23h 56min 4s.
Para concluir, depois de termos entendido o porquê de o horário solar e o horário do relógio apresentarem distorções entre si, podemos pensar em ajustar essas duas medidas. A equação do tempo (e) serve justamente para isso. Ela expressa a diferença entre a hora solar verdadeira e a hora civil, calculada pelo relógio ao longo do ano, e pode ser expressa no gráfico abaixo. Para cada dia do ano, devemos acrescentar ou diminuir determinados minutos para ajustar o horário solar ao horário do relógio.
[3] São as três leis do movimento planetário definidas por Johannes Kepler (1571 – 1630), um matemático e astrônomo alemão.
[4] Ponto da órbita em que um planeta ou um corpo menor do Sistema Solar está mais próximo do Sol.
[5] Ponto da órbita em que um planeta ou um corpo menor do Sistema Solar está mais afastado do Sol.
[6] Instante em que o Sol, em sua órbita aparente, cruza o Equador Celeste. Ocorre duas vezes por ano, marca o início da primavera e do outono.
[7] Momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da Linha do Equador. Ocorre duas vezes por ano: marca o início do inverno e do verão.



Atividade da Semana do Conhecimento – 8º e 9º anos/Ensino Fundamental II – 29/10/2022
Prof. Henrique Lage Chaves
30, julho 2021
Convidado para escrever algo sobre Santo Inácio, neste 31 de julho,…
18, setembro 2025
Carta de nomeação foi lida, Diretor da RJE fez acolhida, novo Diretor-Geral…
19, fevereiro 2021
Durante o mês de fevereiro, a Unidade I do Colégio dos Jesuítas…