Histórias do Pe. Cabada, SJ: um encontro inesperado e o chamado à boa convivência

Leia a história criada por Pe. Cabada, SJ, que convida a ampliar o sentido de convivência através de uma conversa inusitada

      Alguém   O corredor estava vazio. Em silêncio. Só eu. Caminhava sem presa. De repente, pela minha esquerda, alguém me ultrapassou, apressado, sem dizer nada. Fiquei olhando. Achei muito estranho aquele alguém. – Oi!!! – Exclamei quase gritando. O alguém parou e virou-se. – Me está chamando? – Perguntou.   Nunca tinha visto esse alguém. Respondi: – Você é novato? – Aqui, sim! – Que está procurando? – Nada. Só olhando.   Esse Alguém era muito estranho, e uma porção de ideias passou pela minha imaginação. Inclusive dar o fora, quanto antes. Mas o Alguém não me deu essa chance. Não continuou caminhando e me esperou. Quando cheguei ao seu lado me perguntou: – Para onde se dirige? Não sabia ao certo se deveria dizer-lhe a verdade ou não. Quais seriam as intenções desse Alguém? – Para a Área de Convivência. – Respondi, imaginando que seria um lugar mais seguro porque lá quase sempre tem gente e não ficaria sozinho diante desse desconhecido Alguém. – Vou com você! E os dois retomamos a caminhada, juntos.   A sala da Área de Convivência estava vazia. – Esta é a Área de Convivência? – Perguntou. – Sim. – Respondi. – Está vazia. – Comentou. – Não demora e fica cheia! – O prédio só tem esta Área de convivência? – Bem… Sim…   Ele percebeu a minha indecisão em responder e continuou: – Todo o prédio tem que ser Área de convivência e de boa convivência! – É assim mesmo. Todo o nosso prédio é uma ótima área de ótima convivência.   Alguém sorriu e acrescentou: – Por aí afora existem muitas áreas de porrada em vez de áreas de convivência! Não gostei de seu comentário, mas não tive coragem de corrigi-lo. Abaixei o rosto e fiquei olhando para o chão. Ele continuou: – Os prédios têm que ser inteirinhos de boa convivência, e a rua também, e a cidade, e o estado, e o país, e o continente, e o planeta… De tal maneira que a boa convivência não fique restringida a uma sala, a um prédio, a uma rua, a uma cidade, a um país, a um continente… Tem gente que não compreende isso!   Quando levantei a vista para olhá-lo, Alguém tinha desaparecido. Procurei, procurei, e não o achei. Evaporou… Era um anjo ou um fantasma?   Saí da Área de Convivência, com a minha cabeça ecoando: Con-Con-Con-Con-Con… Era muito “Con” para uma só Área de Con-con-con-con…vivência! Passei aquela noite sonhando com, com, com…   E, um dia, os extraterrestes chegaram perguntando qual era o nome de nosso planeta e eu respondi: – Área mundial de convivência!   E eu acordei…   Texto de Pe. Cabada, SJ